Contagem decrescente

sábado, 20 de outubro de 2007

Under Satanae

“Masturbar-me-ia sobre a tua divindade,
Enrabar-te-ia se a tua fraca existência
Oferecesse um cu à minha incontinência;
Meu braço o coração te viria a arrancar
Para com o meu fundo horror melhor te penetrar.”

Com estas linhas, da autoria do saudoso Marquês de Sade, lanço o mote para uma sugestão auditiva: o novo trabalho dos Moonspell, “Under Satanae”. Não sendo um álbum novo, na sua essência, trata-se de uma regravação de temas antigos, do EP “Under The Moonspell” (1994) e das demos “Anno Satanae” (1993) e “Serpent Angel” (1992). É, sem dúvida, um trabalho de inquestionável qualidade, cuja audição não deixa ninguém indiferente (para o bem ou para o mal). São 50 minutos e 32 segundos do melhor black metal luso! Um excepcional aperitivo para o novo álbum, que aguardo com insaciável expectativa, e que deverá chegar aos nossos ouvidos e licantrópicos corações em 2008. Não percam!

“I worship thee, (for) they are my weapons to hurt god.”

domingo, 14 de outubro de 2007

A boda

Pondo de parte as rimas fáceis, há um assunto ao qual eu não tenho dado a devida atenção: a boda. Qualquer casamento que se preze envolve uma boda com convidados, comida, bebida e muita animação. E foi a pensar na animação que recuperei um anúncio que encontrei há já algum tempo.



E esta seria, com certeza, uma boda com animação garantida…

domingo, 7 de outubro de 2007

Novo passatempo / sondagem

Não tenho postado com a regularidade que se impõe e que eu próprio desejaria. Tenho consciência disso e por tal peço desculpa às minhas queridas leitoras e aos meus, vá lá, amigos leitores. A minha fraca produtividade não se deve, ao contrário do que muitos pensarão, a um desinteresse crescente e a uma desmotivação avassaladora nesta minha busca pela minha noiva. Pelo contrário, estou mais determinado que nunca, apesar de ainda não ter qualquer indício positivo, qualquer aperitivo nupcial, nesta minha epopeia cupidesca suicida (se encararmos Cupido como um tipo de fraca pontaria que anda a disparar flechas em todas as direcções, e assumindo eu, neste caso o papel simultâneo do atirador e do alvo, podemos encarar isto como uma tarefa suicida).

Também não é por falta de inspiração que tenho escrito tão pouco. Basta pensar na minha noiva, algures por aí, com o seu destino traçado no horizonte para se cruzar com o meu, para logo se me encher a veia criativa e começarem a jorrar as ideias que alimentam este blog.

Dois factores têm contribuído para o meu fraco desempenho quantitativo (e quiçá qualitativo, mas isso já não é a mim que compete avaliar): a falta de tempo e os problemas informáticos. Falta de tempo, porque entre trabalho e outros afazeres pouco tempo me resta para o lazer propriamente dito. Por exemplo, completei recentemente o meu sexto mês de ginásio, o que constitui um marco importante, como barreira psicológica. Mantenho um grande entusiasmo nesta actividade, talvez até de forma crescente, mas acaba por me retirar muito tempo, pois sempre são três sessões semanais. De qualquer forma, faço-o com toda a vontade e determinação, pois quero estar em plena forma quando encontrar a minha noivinha. Os problemas informáticos têm-me abrandado substancialmente a veia criadora, na medida em que me obrigam a perder tempo para os resolver e porque me impedem de aceder ao blog. Espero, todavia, ultrapassá-los, em breve.

Para vos compensar, decidi revelar um pouco mais de mim. Desta forma, vou lançar um novo passatempo, se assim lhe podemos chamar. Poderão agora escolher uma de quatro possibilidades na sondagem já disponível neste blog, que coloca nas mãos das leitoras e dos leitores a foto que publicarei aqui. Tirarei uma foto, a publicar de acordo com a opção mais votada até ao final do mês de Outubro. Podem decidir se vou tirar uma foto nu, à maior cicatriz do meu corpo, a fazer o pino ou ao meu umbigo. Agora é só votar!

O sonho de Roberto Leal

Na passada sexta-feira, em pleno feriado de 5 de Outubro, em entrevista ao serviço noticioso matinal da RTP 1, Roberto Leal, ao apresentar o seu novo álbum, confessou que o seu maior sonho é, e passo a citar, “ter todos os tambores e todas as gaitas… de foles”. A pausa estava lá, para quem quisesse ouvir: “gaitas… de foles”. Não para de nos surpreender, este Roberto, sempre leal aos seus princípios.

domingo, 30 de setembro de 2007

O ninho da águia

Ontem estive no templo supremo. Estive no Estádio da Luz. Infelizmente, a cerimónia não foi tão grandiosa quanto exigiria a imponência do templo. O Benfica não ganhou o derby lisboeta, mas a simples passagem por aquele estádio torna inesquecível a epopeia.

Igualmente inesquecível foi o voo da águia Vitória. Único!

sábado, 22 de setembro de 2007

Sili... quê?



Encontrei este artigo há uns tempos na prateleira de um supermercado. O termo “prateleira”, na frase anterior, não foi premeditado! Alguém precisa… disto, seja lá o que isto for?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Um trimestre a ver navios

O primeiro trimestre deste blog já lá vai e continuo a ver passar navios. Noivinhas, onde é que vocês andam, minhas queridas? Não tenho nem uma pretendente! Eu confesso que cheguei a ambicionar constituir o meu harém com, pelo menos, meia dúzia de noivas, mas se isto continua assim vou ter que me render à monogamia, ou, pior ainda, terei que me encerrar num mosteiro qualquer, em regime de profunda clausura (o que seria um problema, dados os meus antecedentes religiosos). Vocês não querem que isso aconteça, pois não?

Estive este domingo na Maternidade Dr. Daniel de Matos. Fui lá visitar o mais novo rebento da minha família, filha de um primo meu. Disse-me a minha mãe que foi ali, naquele estabelecimento de saúde, que eu nasci. Senti-me como se estivesse a voltar às origens. E ao inspirar todo aquele ar de natividade, pensei para comigo como seria bom, quando tivesse a minha noiva, dedicar-me de alma e coração ao desígnio da procriação (nunca sem antes contrair matrimónio, como manda a santa Igreja), de forma a constituir a minha equipa de futebol. Já não digo futebol de 11, mas pelo menos futsal. Sim, acho que cinco filhos machos seriam suficientes. Mais as raparigas que fossem nascendo pelo meio. Essas, acho que as metia a fazer triatlo e judo, para serem as sucessoras da Vanessa Fernandes e da Telma Monteiro.

Espero ansiosamente por ti, minha noiva, futura mãe dos meus filhos. Eu sei que ainda falta algum tempo para o casamento, mas é preferível que comecemos a preparar as coisas com alguma antecedência para que nada falhe. Portanto, abre-te para mim, apresenta a tua candidatura a noiva. Não custa nada, é só mandar um e-mail. E poderemos então viver o resto das nossas vidas na mais radiante felicidade.

sábado, 15 de setembro de 2007

Politiquices

Não costumo falar muito sobre política. Até gosto, de alguma forma, dessa nobre arte, mas a maneira execrável como é tratada por aqueles que a ela se dedicam profissionalmente faz com que eu sinta a necessidade de me distanciar, de não comentar, de me abstrair. Hoje abro uma excepção.

Se tivesse que me definir politicamente diria que sou um utópico de esquerda rendido ao liberalismo. Do ponto de vista religioso, como já deixei claro anteriormente, sou ateu. No fundo, a minha religião é o Benfica. Queria deixar isto bem claro, antes de prosseguir.

Esta semana fica marcada pela vergonha. O Dalai Lama visitou Portugal e nem o Presidente da República, nem o Governo, se dignaram recebê-lo. Foi Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República quem representou o Estado português, numa breve recepção ao líder espiritual tibetano. É certo que Gama é o número 2 na hierarquia do Estado, mas será que a visita do Dalai Lama não merecia outro tipo de postura por parte do Governo e do Presidente da República? Quando cá vier o Papa é vê-los a todos a ajoelharem-se para rezar (?). Hipócritas! E ainda dizem que este é um Estado laico…

Por outro lado, veio um secretário de Estado (um tal que esteve por detrás do processo Nuno Assis, contrariando claramente os interesses portugueses) criticar duramente o alegado soco de Scolari, juntando-se-lhe também o Presidente da República no severo coro de protestos. Não pretendo defender Scolari, até porque concordo que não foi bonita a sua atitude. Mas que autoridade moral têm estes senhores para condenarem Scolari, mesmo antes deste apresentar os seus argumentos de defesa e as suas desculpas pelo incidente? Mais uma vez, não defendo a atitude de Scolari, mas não será preferível que estes senhores estejam calados em vez de virem pôr em causa os interesses nacionais ao exigirem a cabeça do seleccionador nacional? Não lhes peço que venham defender publicamente Scolari, mas pelo menos não venham dar mais um pretexto à UEFA para agir de forma dura sobre o técnico brasileiro. Porque se nós próprios, portugueses, através das mais altas individualidades da nação, o condenamos de forma tão veemente, não tenho dúvidas de que os senhores do feudo europeu do futebol não hesitarão em aplicar-lhe um golpe de misericórdia.

E dizem-se estes senhores patriotas, eles que nem tomates têm para enfrentar a diplomacia chinesa e receber o Dalai Lama, só porque não lhes convém. E se pensarmos que o drama de Timor aconteceu há tão pouco tempo e que na altura tantas foram as vozes com discursos bonitos de apelo à paz… Mas o Tibete é lá longe e não nos diz nada, não é? E já agora gostava de saber como reagiriam estes senhores se alguém lhes chamasse filhos da puta na cara. Ou será que tinham razão aqueles que há uns anos gritavam “putas ao poder, que os filhos já lá estão”?

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Passatempo 666

Tenho tido algum feedback dos textos que aqui partilho com os meus leitores. E nem sempre o feedback é positivo (basta ler os comentários). Há quem ache que eu escrevo demais sobre o Benfica, que dedico pouca atenção às noivas, que por vezes me excedo na linguagem. Enfim, críticas que eu respeito, mas que não me preocupam muito, pois eu escrevo o que me vai na alma e nem sempre me apetece discorrer sobre as noivas (esta expressão é muito bonita), há dias em que almejo enaltecer o meu Benfica (e quando almejo enaltecer, enalteço) e também tenho os meus momentos em que simplesmente me dá na telha mandar umas caralhadas.

Mas como gosto de agradar aos meus leitores, e mais especificamente às minhas leitoras, decidi redimir-me de tudo aquilo que me acusam e lançar um passatempo. Pois bem, já terão reparado que aqui o blog do noivinho tem um contador de entradas (“Visitas aos noivos”). Infelizmente não é o contador de pinanços aqui do vosso amigo, mas quando encontrar a minha noiva, prometo-vos que em pouco tempo ultrapasso a quilometragem deste espaço. Ora o passatempo é muito simples e consiste no seguinte: será atribuído um prémio à leitora que conseguir aceder a este blog com o contador a marcar o número 666 (não perguntem porquê, simplesmente gosto do número). O prémio destina-se apenas a leitoras do sexo feminino não casadas (candidatas a noivas, portanto), e consiste num jantar (já que a noiva não vem ao noivo, vai o noivo à noiva – mais uma expressão dúbia). Para reclamar o prémio, a feliz contemplada terá que enviar um mail para o endereço oficial do blog (ver o perfil do noivo), enviando em anexo um print screen do blog a marcar o número 666 no contador das visitas. Nada de complicado, portanto.

Chamo a atenção para não se esquecerem de enviar um contacto para a resposta. E nem pensem em fazer montagens, porque montagens é comigo (ups, peço desculpa pela ordinarice). Eu vou controlar a coisa e não é difícil perceber se o passatempo é ganho honestamente. Se a pessoa que aceder ao blog com o 666 não reunir as condições acima mencionadas, azar, não há prémio para ninguém. O prazo para reclamar o prémio é de uma semana (é mais do que suficiente para fazer um print screen, que tem que ser feito na hora, e enviar o mail). Agora toca a aceder ao blog para isto passar mais rapidamente, pois ainda faltam quase 500 acessos (e a este ritmo nem no Natal).

Boa sorte… e tudo de bom!

sábado, 8 de setembro de 2007

O olfacto...

Ando num ginásio. Faz bem ao corpo e à mente. É uma forma agradável (?) de despertar os sentidos: as vistas são agradáveis (sobretudo quando há aulas de hip hop e body combat: aquilo é só gajas); em determinados aparelhos, elas abrem-se de tal maneira que apetece mesmo ir lá, agarrá-las e… dizer-lhes para terem cuidado para não se magoarem (este vosso amigo preocupa-se com o bem-estar dos, e especialmente das, que o rodeiam); há sempre uma musiquinha que dá mesmo gosto não ouvir (obrigado criadores do mp3); quando acaba a sessãozinha, dá cá uma fome que marcha tudo o que vem ao dente; e, relativamente ao olfacto, quem nunca entrou num ginásio facilmente imagina o cheiro a cavalo que abunda no recinto.

Porém, é outro o motivo que me leva a destacar o poder do olfacto no ginásio. Geralmente vou para o ginásio já equipado e regresso a casa sem passar pelo balneário, pois chego tarde e acabo sempre por terminar os exercícios mesmo em cima da hora de fecho (isto de sair tarde do trabalho todos os dias não é fácil). Mas, por vezes, tenho mesmo que ir ao balneário trocar de roupa antes do exercício. Ora acontece que, nas poucas vezes em que isso acontece, quase sempre me engano na porta do balneário e acabo por me dirigir à porta do balneário feminino, reparando mesmo in extremis, graças ao pictograma, que estou a entrar no balneário errado. Deve ser do cheiro a cona…

domingo, 2 de setembro de 2007

Novo look

Em consonância com algumas alterações de visual que promovi no meu próprio corpo, decidi mudar também um pouco o aspecto gráfico do blog (como já terão notado os visitantes mais atentos). Agora está um pouco mais leve, seja lá o que isso quer dizer, e as transformações não deverão ficar por aqui.

Entre as novidades está um contador que permite saber o tempo que falta para a data do casamento. Parece-me importante. Outra novidade é a alteração do e-mail de contacto. O novo contacto é: groom2009.07.04@gmail.com. Se alguém enviou, nas últimas duas ou três semanas, algum mail para o endereço anterior, peço que reenvie para este, pois não consigo aceder à conta (a IOL é uma merda). Detestaria perder uma candidatura de uma noiva por causa disto…

Peço desculpa a todos os meus leitores pela minha falta de inspiração dos últimos tempos, mas tenho estado de férias, nas últimas duas semanas e meia (isto até parece um título de um filme erótico, mas infelizmente não é). Na verdade, estão mesmo a acabar e em breve deixarei de estar ocupado a coçar a tomatada e poderei, espero, explorar com mais acutilância ofensiva (à Camacho) os pensamentos que me têm abandonado (isto de coçar os tomates implica uma enorme actividade cerebral, porque não se podem coçar os tomates de qualquer maneira).

Expresso ainda o meu enorme regozijo pelos brilhantes triunfos de Nelson Évora e Vanessa Fernandes, dois grandes campeões (de águia ao peito), em defesa das cores nacionais.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Quem sou eu?

Não é fácil falarmos de nós próprios. Olhar para dentro da nossa alma pressupõe uma atitude de afastamento prévio, de distanciamento do eu interior. Procurei, através do site quizzfarm.com, encontrar respostas a algumas questões que eu próprio não conseguiria colocar, por ter dificuldades na concretização desse distanciamento (tenho algumas dificuldades em distanciar-me de mim próprio quando estou sóbrio). Seguem-se algumas das respostas mais relevantes a que cheguei após a realização de alguns testes do referido site.

- A que grupo pertenço?
> Rocker, mosher; gótico; chavalo, urbano, arruaceiro, delinquente.

- Para que desportos fui feito?
> Futebol (soccer), golfe, atletismo, futebol americano / rugby (football).

- Que tipo de pessoa sou?
> Tímido, simpático, divertido.

- Qual é o meu estilo sexual?
> Suave, doce, húmido.

- Em que mundo vivo?
> O mundo de um romântico, de uma criança, de mistério, de um jogador.

- O que é que os meus olhos revelam sobre mim?
> Misterioso, olhos cheios de sofrimento, olhos de diamante.

- Que herói de acção seria?
> Batman, Lara Croft, Indiana Jones, William Wallace, Spiderman.

- Que criatura mitológica seria?
> Fada, sereia, demónio.

- Por que partes do corpo me sinto atraído?
> Cara, mamas, barriga.

- Que terrível assassino seria?
> Jigsaw, Pinhead, Hannibal Lecter.

- De que cor é o meu coração?
> Azul, amarelo, cor-de-rosa, vermelho.

- Como sou eu relativamente ao sexo?
> Apaixonado/húmido; tímido/doce; excitante/exótico; quente/teso.

Os resultados são surpreendentes, até para mim, em alguns casos. De qualquer forma, não sei até que ponto se pode levar isto a sério. Mas achei piada e decidi partilhar isto com os meus escassos leitores.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Ganda Camacho!

Após muita ponderação, achei que não podia deixar passar em branco o regresso de Camacho ao Benfica. Fernando Santos já se foi e não deixa saudades. Camacho regressou para voltar a unir os benfiquistas em torno da equipa e para nos permitir voltar a sonhar.

Obrigado, Nuno Gomes. Força Benfica!

sábado, 18 de agosto de 2007

Dominique

Uma alvorada dominical
Naquela noite sombria
Fez surgir no horizonte
O íntimo de uma flor
Numa orgia dos sentidos,
Num festim sem sentido.
Aos olhos de Satanás
Num refúgio leonino
Jóias que adornam a mais preciosa
Das relíquias sagradas,
Um templo eroticamente revelado
Por entre as curvas do inesgotável desejo.
O odor refrescante da noite escura
Desperta a loucura dos mais sãos
E faz jorrar pela madrugada
Um grito de liberdade e prazer
Contido apenas pelo silêncio
Que ensurdece quem o absorve.
Ao doce toque do deleite
A melancolia da paixão
Por entre carícias teatrais
Que inundam a pele de pura seda
De um corpo pleno de calor
E da brisa que passa pela manhã.
Percorro-te toda como se fosses minha
Mas não te chego a provar
Pois a mão que te procura com ternura
É a mesma que vacila de luxúria
E agradece sem pudor
Ao vil metal que te ilumina.

domingo, 12 de agosto de 2007

Nota explicativa sobre as alucinações

Relativamente à trilogia de alucinações que partilhei convosco, queria tecer alguns comentários, correndo o risco de me armar em Lauro Dérmio. As referidas alucinações ocorreram mesmo, dentro da minha cabeça, naquele episódio dos calções que já aqui relatei, em São Pedro de Moel. A intensidade da música, o sol, entre outros factores, contribuíram para esta amálgama de sensações. Querem alucinar como eu? Comecem por ouvir o álbum The Principle Of Evil Made Flesh, dos Cradle Of Filth. Garanto que é um bom começo…

Alucinação III

A bela donzela detém-se subitamente, ao observar no horizonte o bravo guerreiro. O seu coração palpita, a sua respiração torna-se ofegante e começa a correr desenfreadamente para o seu amado. A corrida parece interminável, apesar das escassas dezenas de metros que os separam. O guerreiro aguarda de braços abertos. A donzela chega junto dele e tenta abraçá-lo com inimaginável avidez. Mas era só uma miragem… A imagem desvanece, e o branco da paisagem começa a transformar-se. Tons de púrpura dominam agora o horizonte, relâmpagos iluminam bruscamente o cenário agora ameaçador, fazendo-se a fúria divina ouvir através de ensurdecedores trovões. Chamas infernais avançam para a apavorada donzela, surge um casulo de fogo que a absorve sem qualquer resistência. O casulo retoma então o seu lugar na demoníaca geometria tridimensional. A donzela vê assim cumprida a punição celestial pelo seu pecado, por ter sucumbido ao desejo.

A ordem infernal encontra-se então reposta. Os casulos de fogo, consumidores de almas pecaminosas, dominam o espaço em todas as suas dimensões. Todavia, uma súbita e insólita energia parece irromper agora de dois casulos afastados e aparentemente não relacionados. A nova força cria um magnetismo poderosíssimo, à medida que dois focos de luz branca se aproximam, irradiando dos dois casulos e quebrando o equilíbrio entre o vermelho do fogo e o negro das trevas profundas. Tudo é destruído à sua passagem e assim que os dois focos de luz se encontram forma-se um corredor luminoso entre os dois casulos, agora já não de fogo, mas de uma alva luminosidade intensa. No seu interior distinguem-se já dois corpos, o guerreiro e a donzela. E à medida que se aproximam, os dois corpos ganham vida. A união completa-se então num beijo que envergonha a eternidade. E à sua volta tudo rui: todos os casulos são consumidos pela luz branca e o Inferno torna-se apenas uma lembrança do passado. Um festival de relâmpagos e trovões anuncia também o colapso do Paraíso, enquanto os dois amantes permanecem indiferentes no seu beijo.

Uma inversão no tempo e no espaço fez retornar os apaixonados destruidores do equilíbrio milenar entre Inferno e Paraíso à sua origem. E eles regressaram ao seu reino longínquo, no meio das montanhas, a um período de paz e harmonia, anterior à guerra que tanta devastação causara e que os conduzira à grande viagem pelo Inferno e pelo Paraíso. E viveram felizes para sempre, sabendo que não mais voltariam a ter que fazer a grande viagem…

terça-feira, 7 de agosto de 2007

C(s)em visitantes

Já agora, permitam-me uma nota de regozijo pelo facto de ter ultrapassado os 100 visitantes neste blog. Noiva é que nem vê-la…

Alucinação II

Uma donzela caminha, maravilhada, entre as nuvens. À sua volta, o branco suave e intangível confunde-se com a alvura do seu vestido de seda. Contempla a tranquilidade que a envolve, enquanto o cenário se vai transformando lentamente, ao ritmo da sua marcha. A elegância do seu corpo, generosamente torneado pelas finas vestes, sobrepõe-se à beleza do meio que a circunda. Pequenas luzes emergem das nuvens e transforma o horizonte numa manta de pontos luminosos. Tudo é branco, incluindo as luzes. A metamorfose do branco, dentro do branco, continua. Tímidas alterações de cenário, mantendo as nuvens e os pontos luminosos como fundo, acentuam a extasiante monotonia. A donzela continua a desfilar, deslumbrada mas também triste, segura mas também melancólica, tranquila mas também só. Percorre o Paraíso.

domingo, 5 de agosto de 2007

Alucinação I

Um bravo guerreiro medieval, armado com a sua espada e o seu escudo, detém-se perante a entrada de uma caverna. Reina a escuridão no interior e no exterior. Da caverna vem um calor que coloca à prova a coragem do homem, que a custo decide avançar, hesitante. Imediatamente se vê cercado por labaredas de fogo. Continua a avançar, protegendo-se com o escudo. À sua volta, as chamas enlaçam-se geometricamente. Figuras de rara beleza, provocadas pelo cenário flamejante, inspiram-lhe sentimentos de medo e de fascínio. Subitamente da tranquilidade emerge a tempestade, as chamas crescem e cercam-no novamente, desta vez de forma ainda mais ameaçadora. O bravo cavaleiro tenta lutar, mas a sua batalha é inglória. As chamas envolvem-no. Surge de súbito um casulo de chamas vindo do alto que absorve o impotente guerreiro. O casulo recolhe então ao seu lugar, e todo o horizonte está repleto de casulos idênticos, geometricamente arrumados num plano imenso. E muitos são os planos de casulos que surgem empilhados, ordenadamente, como se o caos fosse inexistente. Eis o Inferno.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Tomatada ao léu

Poderia referir-me a muitos episódios caricatos ocorridos nos dois últimos fins-de-semana, em S. Pedro de Moel. Todavia, há um que não resisto a destacar neste meu palco de confidências.

Estava eu na praia, juntamente com os meus amigos, a contemplar a bela paisagem e a apanhar banhos de sol, quando me apercebo de umas tipas um bocado agitadas, uns metros à nossa frente. Estava a ouvir música e não liguei muito. Na verdade, estava a ter uma experiência alucinatória absolutamente indescritível, ainda não sei bem se provocada pela música, se por outros factores de natureza química (ou até o próprio sol).

Ao fim de algum tempo, lembrei-me de fazer uns alongamentos, só para aliviar um pouco o stress físico e psicológico. Ao esticar-me para a frente, na direcção dos pés, mantendo-me sentado, apercebi-me de que algo de errado se passava com os meus calções de banho. Perante alguma rigidez do tecido, pouco maleável, havia uma abertura considerável junto a uma das pernas, que colocava o meu testículo esquerdo numa situação de verdadeira exposição aos elementos da natureza. Compreendi depois o motivo da agitação das pobres raparigas, que mesmo em frente deliravam com a visão que se lhe oferecia.

E de tal forma foi o impacto da minha tomatada na mente daquelas pobres jovens irremediavelmente traumatizadas, que pouco depois uma delas estava a meter protector solar no rabo de uma outra, mantendo-se ela própria em posição de acoplagem pela retaguarda (vulgo canzana), enquanto massajava, massajava, massajava… E mais tarde, a miúda massajada foi deitar-se sobre uma terceira tipa, aí permanecendo longos minutos, enquanto os dois corpos roçavam de uma forma absolutamente lesbiana.

E isto vi eu, nos raros momentos em que não estava a alucinar com a música. E pensar que tudo isto foi desencadeado pela minha tomatada ao léu…